Percebo o vento no meu rosto
A delicada e débil paisagem
Rostos cansados e desconhecidos passam pela minha janela
Um sussurro ao meu ouvido já não me assusta mais
sei que é você
Minha velha amiga de longas noites
Lhe repito apenas mais uma vez
perdi meus sonhos na empoeirada estrada
Onde existem apenas flores de dor pelos cantos
Sentei, tentei entender e chorei
Olho para o horizonte e não vejo nada além...
A felicidade é besteira,
Uma mentira
Não existe mais o que pode ser feito... Nunca houve
Deram uma esperança tola
Uma esperança que nunca valeu de nada
Tola ilusão da esperança... Medíocre.
Todos os dias deuses morrem e novos são criados
A fé parece não só mover montanhas
Junte as mãos e faça uma prece
talvez, alguém vá lhe ouvir

O reino caiu
sucumbiu ao voraz ataque...
Ataque das frentes inimigas
Pesadas investidas armadas derrubaram as proteções
O que resta são apenas frangalhos...
Frangalhos do que um dia fora belo e simples
O erro foi de todos que não perceberam a tempo
Não consigo dormir
Vejos siluetas em meio a penumbra
não sei o que é
Mas não me importa
Talvez seja o calmante que esteja fazendo efeito
Pensei que poderia mudar o mundo
Mudar as pessoas
Mudar os fatos
Mas esqueci de mudar
O tempo passou
O inverno severo chegou
E eu ainda estou aqui
Não carrego fardo
Sou o fardo
Ninguém precisa de algo assim em sua vida
Não se preocupe
Não lhe darei motivos para isso
Me levanto todos os dias
mesmo morto
Sinto que devo muitas coisas
Sinto que ainda possuo assuntos a serem resolvidos
Depois disso?
Posso finalmente desistir de uma vez por todas
Tenho tolas idéias
me assolam dia e noite
Não sei como parar
Esmurrei
Gritei
Chorei
Fugi
Cai
E não sei mais se quero levantar
Quero voar
Ser livre
Ser invisível
Estar quieto
Subentendido
No vale do esquecimento
Meu espírito perdido
Sem sentido
Sem sentir

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